O menor beija-flor do Brasil
O menor beija-flor do Brasil que só existe aqui (e você provavelmente nunca notou)

Olá Fotógrafos!
Com 6,8 cm e menos de 3 gramas, o topetinho-vermelho é uma joia endêmica que aparece em jardins e some sem aviso. Descubra por quê.
Tem beija-flor que é fácil de ver. Tem beija-flor que domina o comedouro e não divide com ninguém. E tem o topetinho-vermelho — que aparece, faz sua visita relâmpago e some.
Com apenas 6,8 centímetros e menos de 3 gramas, ele é o menor beija-flor do Brasil. E tem algo que o torna ainda mais especial: é endêmico. Só existe no nosso país. Se você quer ver um topetinho-vermelho, precisa vir para cá.
O nome já entrega o principal: um topete rufo-alaranjado que o macho ergue e baixa conforme o humor. Mas o que realmente impressiona são os leques de penas nas laterais do pescoço — brancos na base, verdes no meio, com pontas negras — que se abrem como leques de bailarina durante o cortejo.

Uma joia que aceita jardins
Diferente de muitas aves endêmicas que só sobrevivem em floresta intocada, o topetinho-vermelho se adapta. Ele aparece em bordas de Mata Atlântica, capoeiras, cerrado, cafezais e — talvez o habitat mais acessível para a maioria de nós — jardins bem floridos.
Heliconias, bromélias, orquídeas, sálvias. Se tem flor tubular colorida, ele visita.
Mas tem um detalhe: ele é subordinado a beija-flores maiores. Se tem um bico-de-brinco ou um beija-flor-de-bico-virado no comedouro, o topetinho espera. Aparece nos intervalos. Fica poucos segundos. E some.
É por isso que muita gente tem um topetinho "visitante" no jardim e nem sabe.
O ninho diferente
A maioria dos beija-flores brasileiros camufla o ninho com líquens — aquele musgo cinza-esverdeado que parece casca de árvore. O topetinho-vermelho não.
O ninho dele é uma tigela sólida e rasa feita de paina de gravatá e fiapos de xaxim, colocada abertamente sobre um ramo horizontal ou forquilha. Sem líquens por fora. É uma das poucas espécies que não usa essa camuflagem clássica.
A fêmea constrói sozinha, incuba 2 ovos por 12-13 dias, e alimenta os filhotes até que voem com cerca de 20 dias. O macho? Contribuiu com genética e voltou a patrulhar suas flores.

Por que ele some?
Se você tem um topetinho no jardim e de repente ele desaparece, não se preocupe. Ele não migrou — pelo menos não no sentido tradicional.
O topetinho-vermelho faz movimentos sazonais. Quando as flores de uma área acabam, ele se desloca para outra. Não é uma rota fixa como a migração de aves — é um movimento oportunista, seguindo a floração.
É por isso que ele aparece em certas épocas e some em outras. Ele segue as flores.

Para fotografar
Velocidade alta: 1/1250s no mínimo
Rajada alta: 7+ fps
Tele: 100-400mm para ação
Contra-luz: o topete rufo brilha contra a luz filtrada — glow alaranjado
Paciência com comedouros: ele aparece em breves visitas — esteja pronto
O topetinho-vermelho é daquelas aves que a gente só nota quando presta atenção. Pequeno, rápido, subordinado a espécies maiores. Mas quando o macho abre os leques do pescoço e faz aquele mergulho com "rrrep", a gente entende por que ele se chama magnificus.
Magnífico. E é só nosso. Não existe em nenhum outro lugar do mundo.

Se você já viu um topetinho-vermelho — no jardim, na borda da mata, em um cafezal em flor — me conta. Qual foi o momento?
Qual foi o beija-flor mais surpreendente que você já fotografou? Responde esse email que quero saber a história por trás da foto.
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